quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Alteração da data do hangout e cronograma para janeiro

Salve Maria, amigos!

Em virtude da Novena de Natal o hangout que estava previsto para hoje foi alterado para o dia 23/12/2015, para o mesmo horário 21:00h.

Abrindo após essa data um período de recesso para as festas. Sendo que os hangouts serão retomados nos dias 07/01 e 21/01 às 21:00h.

Todos estão convidados a participar.


sábado, 5 de dezembro de 2015

Das partes para o todo - A Vida Intelectual

  • Sendo o padre Sertillanges um filósofo e estudante de São Tomás de Aquino, é possível identificar um traço muito claro de uma filosofia clássica comprometida com a verdade por meio de um pensador virtuoso. 
  • O autor colocar em diversos pontos dos primeiros capítulos de forma insistente que a vocação é uma consagração, que a vida intelectual é uma vocação e portanto que o intelectual é um consagrado, que não o sendo, o aspirante a intelectualidade incorrerá no erro, por mais genial que pareça, por mais bem construído que seja, mas sempre no erro e nunca na verdade.
  • O contexto que o autor coloca estas afirmações é um prelúdio dos tempos que vivemos hoje, que por meio de uma série de acontecimentos históricos, de diversas escolas de pensamentos ateus, gnósticos e agnósticos, se defende uma razão desvinculada da fé, de uma ciência baseada numa "verdade" meramente empírica, ou seja, um conhecimento desvinculado da Verdade.
  • O padre Sertillanges faz um esforço de nos mostrar o caminho já não mais traçado pelo homem moderno, para a vivência de uma vida intelectual em busca da Verdade, do Sumo Bem, onde temos que nos elevar e voar usando as asas da Fé e da razão.
  • Os três primeiros capítulos tratam basicamente esse contexto de que o intelecto e a razão não podem ser desvinculados da fé, que a inteligência é um instrumento para o conhecimento e que não se alcança a verdade usando somente a inteligência. Que é necessário ser virtuoso e é necessário organizar a vida para o estudo com sabedoria e temperança, sem desperdiçar a vida com coisas fúteis mas também não se isolar no estudo, num posicionamento alheio a vida real. Que é necessário retiro, silêncio e solidão para a intelecção, para a meditação e para a contemplação, de modo que se possa intuir a verdade e assimilá-la, para posteriormente por meio de uma mediação dos mesmos princípios com ações na vida real transmiti-los
Livro: A Vida Intelectual - Padre A. D. Sertillanges

Capítulo 03 - A organização da vida

I - Simplificar
  • Organizar a vida interior
  • Simplificai
  • É preciso muita paz, um pouco de bom gosto, comodidades que auxiliem no ganho de tempo
  • Uma "vida social" para fazer presença, como eventos sociais e recepções atrapalham a vida intelectual, pois tomam muito tempo
  • Vocação é consagração, o intelectual é um consagrado
  • Não se deve sobrecarregar a vida
  • A esposa deve compreender a vocação e ser um auxílio
  • Filhos são fonte de alegria, tomam tempo, mas recompensam muito mais em alegria
  • O intelectual deve usar a família como fonte de força e objetivo do seu trabalho
Resumo em tópicos:
  • É preciso organizar a vida, excluir todo o entretenimento não produtivo que te faz somente perder tempo, ou seja, se livre do fútil: Televisão, internet excessiva, conversas sem finalidade, eventos sociais e tudo que não promova a elevação do espírito
  • Para estudar não precisa de luxo ou elementos que caracterizem o um certo elitismo intelectual, como uma poltrona caríssima, ou móveis finos,  ou outros aparatos semelhantes, é preciso apenas ter paz, ter bom gosto e algumas comodidades que te poupe tempo
  • Ter uma vida sem sobrecargas, sem querer abraçar o mundo, é preciso foco, organização e disciplina
  • A vida intelectual exige empenho, o que não significa se desligar da vida, é preciso considerar as obrigações e dar valor as coisas importantes como a família
  • É importante que o cônjuge compreenda a vocação intelectual e lhe seja companhia nessa trajetória, lhe sendo apoio e provedor de  aconchego e paz
  • Família te toma tempo, mas te recompensa com amor e alegria, o que te dá força para seguir
II - Guardar a solidão
  • Retiro é muito importante
  • Deixar as banalidades e dedicar ao retiro, ao recolhimento interior
  • Nunca intrometer na vida alheia, ser amável com todos, 
  • Ser cortês com todos, mas evitar a excessiva familiaridade aos que têm pouco intimidade 
  • O retiro é o laboratório do espírito
  • Sem retiro não há inspiração
Resumo em tópicos:
  • Dentro do equilíbrio proposto numa boa organização da vida, está no fato de que no momento de estudar (as duas horas diárias), que seja feita em solidão, é da maior importância se retirar para o estudo
  • É vital o recolhimento interior para que se possa fluir o estudo, a leitura e a meditação. Por isso é importante ressaltar a importância de se desvencilhar das futilidades e de maus hábitos
  • Ser cortês e educado, porém sem se dar à intimidade
  • Sem retiro não é possível estudar e alcançar a verdade, não há como intuir nem como contemplar as verdades conhecidas e suas relações
III - Cooperar com os seus iguais
  • Guardar a solidão não significa isolamento
  • O próximo é o ser que precisa da verdade
  • Contudo para querer compreender o homem é necessário compreender a si próprio
  • Buscar o equilíbrio, tal como Nosso Senhor, ser todo para o homens e viver todo em Deus
  • Aquele que crê unido a Deus sem estar unido ao irmão é mentiroso, e o contrário o faz ser servidor do reino da morte
  • O ideal é utilizar a solidão de modo conexo ao convívio, onde há trocas naturais de conhecimento com humildade e o bom cultivo do saber, na pura busca da verdade
  • A amizade contribui para a busca da verdade, com validações, ponderações, novas ideias e com entusiasmo
  • Participe de uma fraternidade de estudo, se não houver crie uma (amigos da verdade)
Resumo em tópicos:
  • Como já muito ressaltado solidão e retiro não significa isolamento, o retiro é para o encontro com a verdade, tal como na oração
  • O objetivo de conhecer a verdade é para poder transmiti-la ao próximo, por isso a eloquência tratada por de Hugo de São Vitor em seu opúsculo
  • Relação entre o eu, o próximo e Deus. Consiste basicamente incluir o amor ordenado no contexto da vida intelectual, onde Deus é o objeto formal do amor, onde devemos amar a Deus por Deus, amar a mim mesmo por Deus e amar ao próximo por Deus.
  • A amizade com interesses comuns com a busca da verdade produz bons frutos, onde se valida opiniões, se faz juízo de conclusões, onde se experimenta nova ideias e obtém entusiasmo
  • O que faz um fraternidade muitíssimo importante nesse contexto, por isso é importante se juntar a uma, ou criar uma
IV - Cultivar as relações necessárias
  • O autor reforça o cuidado de não se isolar e não descuidar da vida real
  • Não perder tempo com futilidades, fazer bom uso da vida
  • Sua obra não vale mais que você
  • Fazei o que for necessário fazer, o bem é irmão da verdade, e ele sempre a ajudará
  • A contemplação é mais importante que a meditação, não se pode estudar para conhecer e deixar de lado a contemplação, pois sem a contemplação não há elevação do espírito e não há conhecimento da Verdade
  • Em certos dias a intelectualidade alcançará seus ganhos unicamente através da moralidade
  • É preciso viver no real, senão seus estudos serão fantasiosos e desconexos com vida
  • E homens assim quando têm que encarar a vida real, ficam tontos e cambaleiam como marinheiros que pisam em terra firme
  • Há uma riqueza infinita no real, que só temos acesso pela contemplação
  • Procurar companhias mais elevadas que nós
  • Estar no mundo sem ser do mundo
  • O segredo do intelectual é saber se guardar ao mesmo tempo que se comunica
  • O silêncio é o conteúdo secreto das palavras importantes, o valor de uma alma se mede pela riqueza do que ela não diz 
Resumo em tópicos:
  • O foco é a vida real que não pode ser descuidada, toda intelectualidade, todo isolamento, toda a meditação deve ter como meta a realidade
  • O intelectual deve fazer um esforço intelectual de aplicar o tempo todo a investigação e a meditação, de modo que possa ver a verdade que está contida em tudo, para que após descobertas as verdades, as possa contemplar e assim elevar o espírito e ter um contato a infinita riqueza contida no real (só acessível pela contemplação) e assim um contato cada vez maior com a Verdade 
  • A Verdade está no real, e é acessível por meio da contemplação, que por sua vez exige a vida interior, a meditação e oração. É necessário voar e elevar o espírito com as asas da fé e da razão
  • Para o contato com a verdade na vida real é de extrema importância a virtude e a moral, pois a partir da moralidade se colhe diversos frutos para a intelectualidade
  • É preciso sempre ter em mente a relação real e intelecto, para não viver nos extremos, seja da bestialidade, seja da fantasia desconexa do mundo
  • A prudência e a vigilância são virtudes preciosas ao intelectual, de modo que ele participe do mundo sem ser do mundo, e que sempre busque as coisas do alto, e as transmita a toda a criatura, sempre com discrição e humildade
V - Conservar a dose necessária de ação
  • Sempre dosar a vida interna e externa, o silêncio e o ruído
  • A vida ativa e a vida contemplativa, sempre estiveram opostas e sempre tiveram uma interdependência vital
  • A vida nos obriga a ação, sendo que a alma não é isolada, ela é um composto (conceito tomista)
  • Relação vida real x intelectualidade
  • As ideias estão presas aos fatos, não vivem em si mesmas
  • A ação é a figuração da ideia, que por sua vez é abstrata
  • É importante se empreender com dedicação em atividades da vida real (ou seja, fora da vida estritamente intelectual) nos momentos de folga do pensamento, de modo que se possa ganhar por meio da ação o aprendizado do real
Resumo em tópicos:
  • É preciso como citado anteriormente uma temperança, um equilíbrio entre a vida interna e a vida externa, contrabalancear o silêncio e o ruído, usando-os com sabedoria nos momentos mais oportunos para a obtenção de bons frutos
  • Deve-se sempre considerar um intercâmbio entre as experiências da vida interior e da vida exterior, de modo que toda ação deve fazer uso das verdades conhecidas pelo intelecto, de modo que o intelecto (pela moralidade e demais virtudes) deve estar num estado de atenção para sempre capturar as verdades do real por meio das ações
  • Fazer tudo com virtude, que no final se resume em amor, de modo que toda ação resulte em frutos para intelecto, que no final pela contemplação se convertem em frutos para a alma e finalmente na elevação do ser
VI - Manter o silêncio interior
  • Considerando a respeito do silêncio interior o que importa é o autor chama de espírito de silêncio. Um estado de solidão.
  • As duas horas diárias de atividade intelectual, devem ser duas horas de concentração, sendo o objeto das meditações presentes nessas horas devem sempre estar no campo de visão durante as demais horas do dia
  • Um intelectual deve o ser o tempo todo
  • Sempre encarar a solidão como momento de elevação e não como momento de afastamento, é necessário se isolar pelo alto
  • É preciso tomar cuidado com a falsa solidão, pois como há falsa paz, há também falsa solidão
  • Conforme Santo Agostinho há uma pureza da solidão, que em todo momento e toda parte se pode manter
Resumo em tópicos:
  • Todas essas referências a vida interior, retiro, solidão e silêncio rementem à uma necessidade de um contato individual do ser para consigo e do ser para com a Verdade. Onde não se pode confundir retiro com reclusão, solidão com afastamento, silêncio e vida interior como deslocamento e desconexão da vida real
  • Todas as essas questões estão associadas diretamente com a contemplação, que é a atividade central, que exerce papel fundamental para o conhecimento e a compreensão da Verdade, e precede a transmissão da verdade aos demais. Uma ponte entre a ideia que tem raiz no real e o ação parte do abstrato interior para o real
  • O silêncio oculta as verdades contidas em todas coisas, verdades que somente com estudo e meditação é possível extraí-las, e somente com um espírito de silêncio  que vem da graça de Deus, é possível compreender (por meio da contemplação) e transmitir
Livro: A Vida Intelectual - Padre A. D. Sertillanges

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Resumo Capítulos 1, 2 e 3 - A Vida Intelectual

Resumo para Memorização

Capítulo 1 - Vocação intelectual

I - O intelectual é um consagrado

  • Desenvolvimento profundo da alma
  • Buscar a verdade
  • Instinto de buscar de forma árdua o conhecimento
  • Desenvolver o estudo de forma aprofundada e não superficial
  • 2 horas de estudo diário é suficiente
Termos do autor:

- Vocação: Intelectualidade é uma vocação, portanto o intelectual é um consagrado que atende ao chamado de Deus


II - O intelectual não é um isolado
  • Isolamento paralisa e esteriliza
  • Olhos na realidade
  • Meditar com Jesus
Termos do autor:

- Isolamento: O autor aborda o conceito de isolamento de duas formas, onde aqui é pelo negativo, onde o intelectual se isola do mundo, do real


III - O intelectual pertence ao seu tempo

  • A verdade é sempre nova
  • Toda verdade é prática e toda verdade salva
Termos do autor:

- verdade: O autor coloca que toda a verdade é parte da Verdade, ou seja, que toda verdade da criação possui em sua essência a Verdade do Criador 

Capítulo 2 - As virtudes do intelectual Cristão

I - As virtudes comuns

  • Virtude contém de certo modo a intelectualidade
  • Pode-se querer deduzir o conhecimento, mas ele está vinculado à verdade, ao belo, a harmonia, a unidade e ao ser (transcendentais do ser)
  • Não basta só inteligência para conseguir o conhecimento
  • A força lógica de um homem sem virtude pode gerar erros geniais
  • O começo do conhecimento está no amor, digas o que amas e te direi o que és
  • O amor pressupõe a virtude
  • falta de virtude gera vícios, e vícios ininteligência
Termos do autor:

- virtude: o foco é na virtude como característica do ser, o oposto do vício e de tudo que leva ao pecado, podemos elencar aqui as virtudes teologais e cardeais, bem como, as virtudes contrapostas aos pecados capitais. Sendo que fica evidente a colocação do autor, onde a Verdade é Deus, o pecado nos afasta de Deus, portanto a falta de virtude nos leva ao pecado, nos afasta de Deus e consequentemente da Verdade

II - A virtude própria do intelectual

  • Estudiosidade
  • É preciso temperança, para não cair na negligência ou na vã curiosidade
  • Estudar sem rezar é abuso e ilusão (analogia do riacho)
  • No real tudo ascende para o divino, tudo dele depende, pois de tudo ele procede
Termos do autor:

- Estudiosidade: virtude que faz com que o intelectual busque o conhecimento e a verdade e persevere no caminho do conhecimento

III - O espírito de oração
  • Nunca deixar de orar
  • A inteligência só cumpre sua missão com uma função religiosa
  • O importante é o vínculo que as verdades contidas nas coisas estabelece com as demais em uma unidade, dentro da lógica (Logos) estabelecida pela Inteligência Criadora, para isso é preciso meditação e contemplação (Hugo de São Vitor)
  • Nem tudo no real é empírico (Eucaristia no microscópio) é preciso fé
  • Não separar fé da razão
IV - A disciplina do corpo
  • Todo conhecimento vem do ser, isso inclui alma e corpo
  • Por isso cuidar do corpo

Capítulo 03 - A organização da vida

I - Simplificar

  • Organizar a vida, excluir o fútil que atrapalhe a elevação do espírito
  • O estudo não carece de luxo ou elementos de elitismo intelectual, basta paz, isolamento e tempo para o estudo
  • Sem sobrecargas, é preciso foco, organização e disciplina
  • A vida intelectual exige empenho, mas também equilíbrio com a vida real e como a família
  • Cônjuge deve ser apoio, provedor de paz, acolhimento e alegria, tal como os filhos
Termos do autor:

- isolamento: Aqui o autor trata o isolamento já num contexto de retiro, onde o intelectual deve reservar momentos onde se deve isolar para estudar, não se trata de isolamento do mundo no sentido de desconexão (como foi empregado anteriormente) mas sim num contexto de isolamento no âmbito da solidão, onde o aprendizado em si é sempre um ato solitário


II - Guardar a solidão

  • Estudar é um ato solitário (importante no homeschooling)
  • A organização é necessária justamente para a vivência com equilíbrio que possibilite o retiro necessário ao estudo
  • A vida deve ser bem aproveitada, por isso a importância de se desvencilhar de tudo que desperdiça seu tempo
  • Ser cortês e educado, porém sem se dar à intimidade
  • Sem retiro não é possível estudar e alcançar a verdade, não há como intuir nem como contemplar as verdades conhecidas e suas relações

III - Cooperar com os seus iguais

  • Como a razão e a fé sempre estão juntos, tanto no estudo quanto na oração é preciso o retiro, o isolamento para a frutificação e interna, bem como a consolidação de um grupo para a partilha, discernimento e fortalecimento tanto da razão como da fé
  • não há objetivo maior para o conhecimento da verdade do que a sua posterior transmissão (eloquência no opúsculo sobre meditar e aprender de São Vitor)
  • A amizade com o desejo comum pela verdade nos valida e ajuíza nossas conclusões, frutifica novas ideias e gera entusiasmo
  • O que faz uma fraternidade muitíssimo importante nesse contexto, por isso é importante se juntar a uma, ou criar uma
IV - Cultivar as relações necessárias
  • O autor reforça o cuidado de não se isolar e não descuidar da vida real
  • Não perder tempo com futilidades, fazer bom uso da vida
  • Sua obra não vale mais que você
  • Fazei o que for necessário fazer, o bem é irmão da verdade, e ele sempre a ajudará
  • A contemplação é o mais importante, considerando que a contemplação sempre abrange o todo, tanto o que trata o intelecto, quanto o real
  • Em certos dias a intelectualidade alcançará seus ganhos unicamente através da moralidade, que é basicamente pela questão das virtudes, o intelectual cultiva em si as virtudes para alcançar a verdade pelo intelecto, sendo que essas mesmas virtudes o permite também enxergar a verdade diretamente no mundo real
  • É preciso viver no real, senão seus estudos serão fantasiosos e desconexos com vida
  • Há uma riqueza infinita no real que só temos acesso pela contemplação
  • Procurar companhias mais elevadas que nós
  • Estar no mundo sem ser do mundo
  • O segredo do intelectual é saber se guardar ao mesmo tempo que se comunica
  • O silêncio é o conteúdo secreto das palavras importantes, o valor de uma alma se mede pela riqueza do que ela não diz 
Termos do autor:

- silêncio: o autor engloba o silêncio não somente como uma realidade sonora, não somente como uma simples mudes, mas sim um estado de estado silencioso da verdade, toda a verdade ela está contida de forma silenciosa na essência das coisas, que tal como Hugo de São Vitor coloca, que somente a meditação é capaz ouvir essa voz silenciosa

V - Conservar a dose necessária de ação
  • Sempre dosar a vida interna e externa, o silêncio e o ruído
  • A vida ativa e a vida contemplativa, sempre estiveram opostas e sempre tiveram uma interdependência vital
  • As ideias estão presas aos fatos, não vivem em si mesmas
  • A ação é a figuração da ideia, que por sua vez é abstrata
  • É importante se empreender com dedicação em atividades da vida real
VI - Manter o silêncio interior
  • Considerando a respeito do silêncio interior o que importa é o que autor chama de espírito de silêncio. Um estado de solidão.
  • As duas horas diárias de atividade intelectual, devem ser duas horas de concentração
  • Um intelectual deve o ser o tempo todo
  • A solidão é elevação e não afastamento, é necessário se isolar pelo alto
  • Cuidado com a falsa solidão, pois como há falsa paz, há também falsa solidão
  • Todas essas referências a vida interior, retiro, solidão e silêncio rementem à uma necessidade de um contato individual do ser para consigo e do ser para com a Verdade. Onde não se pode confundir retiro com reclusão, solidão com afastamento, silêncio e vida interior como deslocamento e desconexão da vida real
  • A contemplação é uma ponte entre a ideia que tem raiz no real e o ação parte do abstrato interior para o real. É a verdade conhecida, seguida e transmitida

Capítulo 02 - As virtudes do intelectual Cristão

I - As virtudes comuns
  • A virtude contém em certo modo a intelectualidade em potência
  • Pode-se querer deduzir o conhecimento, contudo a ordem moral prende o conhecimento à verdade, o belo, a harmonia, a unidade, até do ser (transcendentes do ser)
  • Qualidades de caráter é parte crucial para o conhecimento, pois o intelecto é só instrumento, para bem reger a inteligência é preciso mais qualidades além da inteligência
  • Uma inteligência isolada é um jogo perigoso
  • A falta de caráter leva um homem de uma pequena falta à grandes erros
  • A força lógica em um homem sem caráter, o leva à erros retumbantes e até geniais, torna-os mestres desorientados
  • A vida é uma unidade, o pensamento desassociado da vida faz com que quem tenta viver essas ideias não as perceba
  • A unidade da vida vem do amor, dizei o que ama e te direis que és
  • O começo do conhecimento é o amor, a verdade vem ao encontro dos que amam
  • O amor pressupõe a virtude
  • A virtude é a saúde da alma, pensamos com toda a alma (dizia Platão), porém o pensamento cristão determina que pensamos com toda o ser
  • As virtudes freiam as paixões (Santo Tomás de Aquino)
  • O inimigo do saber é a ininteligência
  • O intelectual não pode se contaminar por taras, que o conduz aos vícios
  • A verdade e o bem não estão somente ligados, são idênticos pelos cimos
  • A pureza do pensamento está vinculada à pureza da alma, é preciso buscar o sublime
Resumo em tópicos:
  • Nesse início de capítulo o autor aborda as virtudes comuns para um intelectual. O autor por ser um filósofo coloca em seus argumento uma grande carga dos princípios filosóficos, mas também ao meu ver de uma formação clássica, ao decorrer da obra isso se torna mais perceptível. O autor demonstra perceber os distúrbios dos pensamentos do seu tempo e tenta com esse livro um esforço de retomar a forma correta pela busca do verdadeiro conhecimento, ou seja, da verdade. Vamos buscar a coisa certa e da forma certa, vamos mirar no alvo certo e usar os instrumentos que temos da forma certa
  • A virtude contém a intelectualidade em potência, ou seja, num cunho filosófico não há como acessar a verdade sem ser virtuoso (filosofia a partir de uma abordagem clássica)
  • Há como estabelecer um paralelo entre os elementos da ordem moral citados pelo autor, com os princípios das artes liberais, pois o trabalho intelectual busca uma educação para a transcendência, ele cita a vinculação do conhecimento à ordem moral, à verdade, o belo, a harmonia, a unidade e ao ser. Onde podemos resumir nos transcendentais do ser: Verum (verdadeiro), Bonum (bom) e o Pucrum (belo)
  • É possível buscar tudo por formas dedutivas, por simples força lógica, mas sem a busca de uma educação para a transcendência, sem virtude, sem verdadeira prudência, podemos chegar a argumentos lógicos válidos, porém não verdadeiros, e portanto ininteligentes, a ininteligência é a inimiga da verdade
  • A inteligência é somente um instrumento para alcançar a verdade, a tentativa da busca da verdade utilizando somente a inteligência de forma isolada é um jogo perigoso
  • É de onde surgem erros (até geniais) os quais levam o homem a grandes equívocos, e geram mestres desorientados (realidade contemporânea da filosofia)
  • A vida é uma unidade, não há verdade sem o alinhamento do pensamento com a vida
  • A unidade da vida vem do amor, me digas o amas e te direis quem és
  • Buscamos os transcendentais: a verdade, o bem e o belo. Ou seja, buscamos Deus. E isso só é possível pelo amor, e o amor pressupõe a virtude. 
  • Partindo de um princípio inicial tomista, a fé busca a razão (inicialmente concebido de Santo Ancelmo de Cantuária: "fides quaerens intellectum" a fé busca o conhecimendo), não há uma oposição entre eles, tanto é que nesse sentido que o intelecto depende da virtude, ou seja, o dom da inteligência depende da virtude teologal primeira que é a fé, tanto é que a fé busca a razão e não o contrário, e principalmente não há oposição entre elas como o é dito no pensamento protestantes do fideísmo, inaugurado pela navalha de Ockham.
  • As virtudes freiam as paixões (São Tomás)
  • O autor cita as taras, ou seja, o desequilíbrio, e cita inclusive que a falta de valores levam o homem de abismo em abismo, a ser perder. 
  • Por meio das virtudes evitamos os vícios, por meio das virtudes nos aproximamos do amor, e por conseguinte estaremos mais próximos dos transcendentais: a verdade, o bem e o belo. Nisso a inteligência é parte, somente com a inteligência não possível alcançá-lo, pois sem virtudes não é possível nem fazer uso correto da inteligência, quanto mais extrair bons frutos
II - A virtude própria do intelectual
  • A virtude própria do intelectual é a estudiosidade
  • Santo Tomás subordinava a estudiosidade à temperança, em equilíbrio a vida real ao desejo ao empenho aos estudos
  • Pois a estudiosidade pode cair em dois erros, na negligência da vida real ou na vã curiosidade
  • O sábio começa pelo princípio e só dá novos passos após concluir o precedente
  • Estudar sem rezar é abuso e ilusão, não rezar não trará maior progresso e produção
  • Estudar sem rezar seria achar que o riacho correria mais água quando se obstrui a nascente
  • No real tudo ascende para o divino, tudo dele depende, pois tudo dele procede.
Resumo em tópicos:
  • A estudiosidade é uma virtude, a qual o estudioso aplica sua mente de forma veemente em alguma coisa, em algum objeto de estudo
  • Como dito anteriormente o intelectual não pode se isolar das pessoas, aqui o autor reforça que o estudioso não deve se isolar do mundo, se cuidando para não cair na negligência nem na vã curiosidade
  • O estudioso deve ter método e não deve prosseguir se houver dúvidas
  • E sempre rezar, o estudioso deve sempre rezar, pois tudo vem de Deus e o intelectual deve viver uma vida de oração para assim poder colher frutos numa vida intelectual
III- Espírito de Oração
  • Nunca deixe de orar
  • A ciência é o conhecimento das causas, o que importa são as dependências, as ligações , pois há uma dependência primeira, o Coração do Ser
  • A inteligência só cumpre sua missão exercendo uma função religiosa
  • Cada verdade é um fragmento que possui ligação com outros fragmentos, pois a verdade em si é a Verdade, é Deus
  • A vida do real, não necessariamente visível empiricamente, como os mistérios de Cristo, como a Eucaristia, não há porque separar a fé da razão
  • Toda verdade autêntica contém em si a verdade eterna
  • O estudo e a contemplação da oração geram proveitos mútuos
Resumo em tópicos:
  • Conforme citado no tópico anterior, não se pode deixar de rezar, o autor coloca uma abordagem em contra-posição ao pensamento contemporâneo de que a fé devia ser separada da razão e da ciência, pensamente esse advindo desde a navalha de Ockham e de Immanuel Kant e seguidos por uma legião de pensadores ateus e agnósticos, onde reina a premissa equivocada que só se pode conhecer o que é empírico
  • Uma hóstia consagrada no microscópio é apenas pão, sem fé é impossível chegar a verdade
  • Esse capítulo me recordou muito o opúsculo sobre meditar e estudar de Hugo de São Vitor, onde é preciso ler, resumir, decorar e meditar, para posteriormente encontrar a verdade contida no objeto estudado, e a partir dessa verdade juntamente com outras verdades já meditadas é possível enxergar a ligação entre elas, e assim contemplar algo maior, para assim poder passá-la para os outros. Isso só é possível com o esforço intelectual somado à vida de oração, sem rezar é impossível alcançar a verdade
  • Pois em toda a verdade autêntica há a Verdade do Criador, há o Logos, o Sentido de uma Inteligência que a criou para uma finalidade, sem fé é impossível entender isso, e portanto é impossível conhecer a verdade.
IV- Disciplina do corpo
  • Oposição das funções espirituais das corporais, ainda mais estranhas ao pensamento puro
  • Não há pensamento, sem transmissão dos sentidos, de reações dos corpo, por isso é importante cuidar da saúde
  • É importante passear entre as atividades, repouso, exercícios físicos e cuidados com a alimentação
  • Tudo que se faz ao corpo de certo modo interfere na alma
  • Por isso é importante refletir as virtudes, principalmente as virtudes opostas aos pecados capitais, tais virtudes são essenciais ao intelectual
Resumo em tópicos:
  • Separar o espírito do corpo para um pensamento puro, separado do corpo, beira um pensamento gnóstico que despreza a matéria, onde o corpo é ruim
  • Por isso a observação do autor, pois o pensamento se origina do corpo e suas reações químicas, que produzem os sentimentos e sensações, bem como, os raciocínios e meditações
  • Não há como transmitir ou receber conhecimento sem utilizar os sentidos e sem fazer uso do corpo, por isso cuidar do corpo é importante
  • O que reforça a questão das virtudes, as virtudes cuidam da alma mas também cuidam do corpo, um corpo que se deixar levar pelos pecados, pela concupiscência, vão acarretar em doenças espirituais. Por isso um filósofo ou um intelectual deve ser virtuoso, pois uma alma em pecado não pode encontrar a verdade. 

Livro: A Vida Intelectual - Padre A. D. Sertillanges

Capítulo 01 - A vocação intelectual

I - O intelectual é um consagrado
  • Trabalho intelectual está associado a um profundo desenvolvimento do espírito
  • Não se trata de algo superficial, com leituras vagas
  • Continuidade e esforço metódico, na busca do responde ao apelo do espírito, ou seja, a verdade
  • Esse tipo de estudo exige um grande investimento de esforço
  • Intelectual = atleta profissional
  • A verdade só presta serviço a quem a serve
  • Vocação refere-se ao instintivo, ao gosto e ardor espontâneo pelo conhecer, onde se encontram os dons e a providência de Deus
  • O trabalho intelectual deve ser ordenado sem irritações e pressas
  • Exige-se ascetismo (auto-controle do corpo e do espírito) e virtude heróica
  • Um coração ardente supera as dificuldades, o querer vale mais, onde muitas vezes aquele que deseja compreender mas tem pouco tempo e poucos recursos, consegue ter melhores resultados do que a aqueles que tem tempo e recurso porém não aspiram o saber
  • Duas horas bastam para uma boa formação intelectual
II - O intelectual não é um isolado
  • O intelectual cristão, em função da sua vocação intelectual não pode se isolar, não se pode deixar tentar pelo individualismo
  • O isolamento paralisa e esteriliza
  • O estudo deve ser um ato de vida, e não arte pela arte, o trabalhador cristão deve viver no u universal, na história, pois vive com Cristo, não pode separar dele nem o tempo nem os homens
  • O verdadeiro cristão tem que ter os olhos na realidade e na santidade, meditar com Jesus, inteiramente nos memorias do Pai
III - O intelectual pertence ao seu tempo
  • Séc XX, tempo de confusões que o mundo nunca presenciou, o planeta não sabe para onde vai
  • Toda a verdade é prática, e toda verdade salva, mas também indica um espírito que excluí o diletantismo
  • A verdade é sempre nova, Deus não envelhece
  • O intelectual deve buscar a verdade, que renova a eterna face da terra

Livro: A Vida Intelectual - Padre A. D. Sertillanges