- A virtude contém em certo modo a intelectualidade em potência
- Pode-se querer deduzir o conhecimento, contudo a ordem moral prende o conhecimento à verdade, o belo, a harmonia, a unidade, até do ser (transcendentes do ser)
- Qualidades de caráter é parte crucial para o conhecimento, pois o intelecto é só instrumento, para bem reger a inteligência é preciso mais qualidades além da inteligência
- Uma inteligência isolada é um jogo perigoso
- A falta de caráter leva um homem de uma pequena falta à grandes erros
- A força lógica em um homem sem caráter, o leva à erros retumbantes e até geniais, torna-os mestres desorientados
- A vida é uma unidade, o pensamento desassociado da vida faz com que quem tenta viver essas ideias não as perceba
- A unidade da vida vem do amor, dizei o que ama e te direis que és
- O começo do conhecimento é o amor, a verdade vem ao encontro dos que amam
- O amor pressupõe a virtude
- A virtude é a saúde da alma, pensamos com toda a alma (dizia Platão), porém o pensamento cristão determina que pensamos com toda o ser
- As virtudes freiam as paixões (Santo Tomás de Aquino)
- O inimigo do saber é a ininteligência
- O intelectual não pode se contaminar por taras, que o conduz aos vícios
- A verdade e o bem não estão somente ligados, são idênticos pelos cimos
- A pureza do pensamento está vinculada à pureza da alma, é preciso buscar o sublime
- Nesse início de capítulo o autor aborda as virtudes comuns para um intelectual. O autor por ser um filósofo coloca em seus argumento uma grande carga dos princípios filosóficos, mas também ao meu ver de uma formação clássica, ao decorrer da obra isso se torna mais perceptível. O autor demonstra perceber os distúrbios dos pensamentos do seu tempo e tenta com esse livro um esforço de retomar a forma correta pela busca do verdadeiro conhecimento, ou seja, da verdade. Vamos buscar a coisa certa e da forma certa, vamos mirar no alvo certo e usar os instrumentos que temos da forma certa
- A virtude contém a intelectualidade em potência, ou seja, num cunho filosófico não há como acessar a verdade sem ser virtuoso (filosofia a partir de uma abordagem clássica)
- Há como estabelecer um paralelo entre os elementos da ordem moral citados pelo autor, com os princípios das artes liberais, pois o trabalho intelectual busca uma educação para a transcendência, ele cita a vinculação do conhecimento à ordem moral, à verdade, o belo, a harmonia, a unidade e ao ser. Onde podemos resumir nos transcendentais do ser: Verum (verdadeiro), Bonum (bom) e o Pucrum (belo)
- É possível buscar tudo por formas dedutivas, por simples força lógica, mas sem a busca de uma educação para a transcendência, sem virtude, sem verdadeira prudência, podemos chegar a argumentos lógicos válidos, porém não verdadeiros, e portanto ininteligentes, a ininteligência é a inimiga da verdade
- A inteligência é somente um instrumento para alcançar a verdade, a tentativa da busca da verdade utilizando somente a inteligência de forma isolada é um jogo perigoso
- É de onde surgem erros (até geniais) os quais levam o homem a grandes equívocos, e geram mestres desorientados (realidade contemporânea da filosofia)
- A vida é uma unidade, não há verdade sem o alinhamento do pensamento com a vida
- A unidade da vida vem do amor, me digas o amas e te direis quem és
- Buscamos os transcendentais: a verdade, o bem e o belo. Ou seja, buscamos Deus. E isso só é possível pelo amor, e o amor pressupõe a virtude.
- Partindo de um princípio inicial tomista, a fé busca a razão (inicialmente concebido de Santo Ancelmo de Cantuária: "fides quaerens intellectum" a fé busca o conhecimendo), não há uma oposição entre eles, tanto é que nesse sentido que o intelecto depende da virtude, ou seja, o dom da inteligência depende da virtude teologal primeira que é a fé, tanto é que a fé busca a razão e não o contrário, e principalmente não há oposição entre elas como o é dito no pensamento protestantes do fideísmo, inaugurado pela navalha de Ockham.
- As virtudes freiam as paixões (São Tomás)
- O autor cita as taras, ou seja, o desequilíbrio, e cita inclusive que a falta de valores levam o homem de abismo em abismo, a ser perder.
- Por meio das virtudes evitamos os vícios, por meio das virtudes nos aproximamos do amor, e por conseguinte estaremos mais próximos dos transcendentais: a verdade, o bem e o belo. Nisso a inteligência é parte, somente com a inteligência não possível alcançá-lo, pois sem virtudes não é possível nem fazer uso correto da inteligência, quanto mais extrair bons frutos
- A virtude própria do intelectual é a estudiosidade
- Santo Tomás subordinava a estudiosidade à temperança, em equilíbrio a vida real ao desejo ao empenho aos estudos
- Pois a estudiosidade pode cair em dois erros, na negligência da vida real ou na vã curiosidade
- O sábio começa pelo princípio e só dá novos passos após concluir o precedente
- Estudar sem rezar é abuso e ilusão, não rezar não trará maior progresso e produção
- Estudar sem rezar seria achar que o riacho correria mais água quando se obstrui a nascente
- No real tudo ascende para o divino, tudo dele depende, pois tudo dele procede.
- A estudiosidade é uma virtude, a qual o estudioso aplica sua mente de forma veemente em alguma coisa, em algum objeto de estudo
- Como dito anteriormente o intelectual não pode se isolar das pessoas, aqui o autor reforça que o estudioso não deve se isolar do mundo, se cuidando para não cair na negligência nem na vã curiosidade
- O estudioso deve ter método e não deve prosseguir se houver dúvidas
- E sempre rezar, o estudioso deve sempre rezar, pois tudo vem de Deus e o intelectual deve viver uma vida de oração para assim poder colher frutos numa vida intelectual
- Nunca deixe de orar
- A ciência é o conhecimento das causas, o que importa são as dependências, as ligações , pois há uma dependência primeira, o Coração do Ser
- A inteligência só cumpre sua missão exercendo uma função religiosa
- Cada verdade é um fragmento que possui ligação com outros fragmentos, pois a verdade em si é a Verdade, é Deus
- A vida do real, não necessariamente visível empiricamente, como os mistérios de Cristo, como a Eucaristia, não há porque separar a fé da razão
- Toda verdade autêntica contém em si a verdade eterna
- O estudo e a contemplação da oração geram proveitos mútuos
- Conforme citado no tópico anterior, não se pode deixar de rezar, o autor coloca uma abordagem em contra-posição ao pensamento contemporâneo de que a fé devia ser separada da razão e da ciência, pensamente esse advindo desde a navalha de Ockham e de Immanuel Kant e seguidos por uma legião de pensadores ateus e agnósticos, onde reina a premissa equivocada que só se pode conhecer o que é empírico
- Uma hóstia consagrada no microscópio é apenas pão, sem fé é impossível chegar a verdade
- Esse capítulo me recordou muito o opúsculo sobre meditar e estudar de Hugo de São Vitor, onde é preciso ler, resumir, decorar e meditar, para posteriormente encontrar a verdade contida no objeto estudado, e a partir dessa verdade juntamente com outras verdades já meditadas é possível enxergar a ligação entre elas, e assim contemplar algo maior, para assim poder passá-la para os outros. Isso só é possível com o esforço intelectual somado à vida de oração, sem rezar é impossível alcançar a verdade
- Pois em toda a verdade autêntica há a Verdade do Criador, há o Logos, o Sentido de uma Inteligência que a criou para uma finalidade, sem fé é impossível entender isso, e portanto é impossível conhecer a verdade.
- Oposição das funções espirituais das corporais, ainda mais estranhas ao pensamento puro
- Não há pensamento, sem transmissão dos sentidos, de reações dos corpo, por isso é importante cuidar da saúde
- É importante passear entre as atividades, repouso, exercícios físicos e cuidados com a alimentação
- Tudo que se faz ao corpo de certo modo interfere na alma
- Por isso é importante refletir as virtudes, principalmente as virtudes opostas aos pecados capitais, tais virtudes são essenciais ao intelectual
- Separar o espírito do corpo para um pensamento puro, separado do corpo, beira um pensamento gnóstico que despreza a matéria, onde o corpo é ruim
- Por isso a observação do autor, pois o pensamento se origina do corpo e suas reações químicas, que produzem os sentimentos e sensações, bem como, os raciocínios e meditações
- Não há como transmitir ou receber conhecimento sem utilizar os sentidos e sem fazer uso do corpo, por isso cuidar do corpo é importante
- O que reforça a questão das virtudes, as virtudes cuidam da alma mas também cuidam do corpo, um corpo que se deixar levar pelos pecados, pela concupiscência, vão acarretar em doenças espirituais. Por isso um filósofo ou um intelectual deve ser virtuoso, pois uma alma em pecado não pode encontrar a verdade.
Livro: A Vida Intelectual - Padre A. D. Sertillanges
Nenhum comentário:
Postar um comentário