sábado, 5 de dezembro de 2015

Capítulo 03 - A organização da vida

I - Simplificar
  • Organizar a vida interior
  • Simplificai
  • É preciso muita paz, um pouco de bom gosto, comodidades que auxiliem no ganho de tempo
  • Uma "vida social" para fazer presença, como eventos sociais e recepções atrapalham a vida intelectual, pois tomam muito tempo
  • Vocação é consagração, o intelectual é um consagrado
  • Não se deve sobrecarregar a vida
  • A esposa deve compreender a vocação e ser um auxílio
  • Filhos são fonte de alegria, tomam tempo, mas recompensam muito mais em alegria
  • O intelectual deve usar a família como fonte de força e objetivo do seu trabalho
Resumo em tópicos:
  • É preciso organizar a vida, excluir todo o entretenimento não produtivo que te faz somente perder tempo, ou seja, se livre do fútil: Televisão, internet excessiva, conversas sem finalidade, eventos sociais e tudo que não promova a elevação do espírito
  • Para estudar não precisa de luxo ou elementos que caracterizem o um certo elitismo intelectual, como uma poltrona caríssima, ou móveis finos,  ou outros aparatos semelhantes, é preciso apenas ter paz, ter bom gosto e algumas comodidades que te poupe tempo
  • Ter uma vida sem sobrecargas, sem querer abraçar o mundo, é preciso foco, organização e disciplina
  • A vida intelectual exige empenho, o que não significa se desligar da vida, é preciso considerar as obrigações e dar valor as coisas importantes como a família
  • É importante que o cônjuge compreenda a vocação intelectual e lhe seja companhia nessa trajetória, lhe sendo apoio e provedor de  aconchego e paz
  • Família te toma tempo, mas te recompensa com amor e alegria, o que te dá força para seguir
II - Guardar a solidão
  • Retiro é muito importante
  • Deixar as banalidades e dedicar ao retiro, ao recolhimento interior
  • Nunca intrometer na vida alheia, ser amável com todos, 
  • Ser cortês com todos, mas evitar a excessiva familiaridade aos que têm pouco intimidade 
  • O retiro é o laboratório do espírito
  • Sem retiro não há inspiração
Resumo em tópicos:
  • Dentro do equilíbrio proposto numa boa organização da vida, está no fato de que no momento de estudar (as duas horas diárias), que seja feita em solidão, é da maior importância se retirar para o estudo
  • É vital o recolhimento interior para que se possa fluir o estudo, a leitura e a meditação. Por isso é importante ressaltar a importância de se desvencilhar das futilidades e de maus hábitos
  • Ser cortês e educado, porém sem se dar à intimidade
  • Sem retiro não é possível estudar e alcançar a verdade, não há como intuir nem como contemplar as verdades conhecidas e suas relações
III - Cooperar com os seus iguais
  • Guardar a solidão não significa isolamento
  • O próximo é o ser que precisa da verdade
  • Contudo para querer compreender o homem é necessário compreender a si próprio
  • Buscar o equilíbrio, tal como Nosso Senhor, ser todo para o homens e viver todo em Deus
  • Aquele que crê unido a Deus sem estar unido ao irmão é mentiroso, e o contrário o faz ser servidor do reino da morte
  • O ideal é utilizar a solidão de modo conexo ao convívio, onde há trocas naturais de conhecimento com humildade e o bom cultivo do saber, na pura busca da verdade
  • A amizade contribui para a busca da verdade, com validações, ponderações, novas ideias e com entusiasmo
  • Participe de uma fraternidade de estudo, se não houver crie uma (amigos da verdade)
Resumo em tópicos:
  • Como já muito ressaltado solidão e retiro não significa isolamento, o retiro é para o encontro com a verdade, tal como na oração
  • O objetivo de conhecer a verdade é para poder transmiti-la ao próximo, por isso a eloquência tratada por de Hugo de São Vitor em seu opúsculo
  • Relação entre o eu, o próximo e Deus. Consiste basicamente incluir o amor ordenado no contexto da vida intelectual, onde Deus é o objeto formal do amor, onde devemos amar a Deus por Deus, amar a mim mesmo por Deus e amar ao próximo por Deus.
  • A amizade com interesses comuns com a busca da verdade produz bons frutos, onde se valida opiniões, se faz juízo de conclusões, onde se experimenta nova ideias e obtém entusiasmo
  • O que faz um fraternidade muitíssimo importante nesse contexto, por isso é importante se juntar a uma, ou criar uma
IV - Cultivar as relações necessárias
  • O autor reforça o cuidado de não se isolar e não descuidar da vida real
  • Não perder tempo com futilidades, fazer bom uso da vida
  • Sua obra não vale mais que você
  • Fazei o que for necessário fazer, o bem é irmão da verdade, e ele sempre a ajudará
  • A contemplação é mais importante que a meditação, não se pode estudar para conhecer e deixar de lado a contemplação, pois sem a contemplação não há elevação do espírito e não há conhecimento da Verdade
  • Em certos dias a intelectualidade alcançará seus ganhos unicamente através da moralidade
  • É preciso viver no real, senão seus estudos serão fantasiosos e desconexos com vida
  • E homens assim quando têm que encarar a vida real, ficam tontos e cambaleiam como marinheiros que pisam em terra firme
  • Há uma riqueza infinita no real, que só temos acesso pela contemplação
  • Procurar companhias mais elevadas que nós
  • Estar no mundo sem ser do mundo
  • O segredo do intelectual é saber se guardar ao mesmo tempo que se comunica
  • O silêncio é o conteúdo secreto das palavras importantes, o valor de uma alma se mede pela riqueza do que ela não diz 
Resumo em tópicos:
  • O foco é a vida real que não pode ser descuidada, toda intelectualidade, todo isolamento, toda a meditação deve ter como meta a realidade
  • O intelectual deve fazer um esforço intelectual de aplicar o tempo todo a investigação e a meditação, de modo que possa ver a verdade que está contida em tudo, para que após descobertas as verdades, as possa contemplar e assim elevar o espírito e ter um contato a infinita riqueza contida no real (só acessível pela contemplação) e assim um contato cada vez maior com a Verdade 
  • A Verdade está no real, e é acessível por meio da contemplação, que por sua vez exige a vida interior, a meditação e oração. É necessário voar e elevar o espírito com as asas da fé e da razão
  • Para o contato com a verdade na vida real é de extrema importância a virtude e a moral, pois a partir da moralidade se colhe diversos frutos para a intelectualidade
  • É preciso sempre ter em mente a relação real e intelecto, para não viver nos extremos, seja da bestialidade, seja da fantasia desconexa do mundo
  • A prudência e a vigilância são virtudes preciosas ao intelectual, de modo que ele participe do mundo sem ser do mundo, e que sempre busque as coisas do alto, e as transmita a toda a criatura, sempre com discrição e humildade
V - Conservar a dose necessária de ação
  • Sempre dosar a vida interna e externa, o silêncio e o ruído
  • A vida ativa e a vida contemplativa, sempre estiveram opostas e sempre tiveram uma interdependência vital
  • A vida nos obriga a ação, sendo que a alma não é isolada, ela é um composto (conceito tomista)
  • Relação vida real x intelectualidade
  • As ideias estão presas aos fatos, não vivem em si mesmas
  • A ação é a figuração da ideia, que por sua vez é abstrata
  • É importante se empreender com dedicação em atividades da vida real (ou seja, fora da vida estritamente intelectual) nos momentos de folga do pensamento, de modo que se possa ganhar por meio da ação o aprendizado do real
Resumo em tópicos:
  • É preciso como citado anteriormente uma temperança, um equilíbrio entre a vida interna e a vida externa, contrabalancear o silêncio e o ruído, usando-os com sabedoria nos momentos mais oportunos para a obtenção de bons frutos
  • Deve-se sempre considerar um intercâmbio entre as experiências da vida interior e da vida exterior, de modo que toda ação deve fazer uso das verdades conhecidas pelo intelecto, de modo que o intelecto (pela moralidade e demais virtudes) deve estar num estado de atenção para sempre capturar as verdades do real por meio das ações
  • Fazer tudo com virtude, que no final se resume em amor, de modo que toda ação resulte em frutos para intelecto, que no final pela contemplação se convertem em frutos para a alma e finalmente na elevação do ser
VI - Manter o silêncio interior
  • Considerando a respeito do silêncio interior o que importa é o autor chama de espírito de silêncio. Um estado de solidão.
  • As duas horas diárias de atividade intelectual, devem ser duas horas de concentração, sendo o objeto das meditações presentes nessas horas devem sempre estar no campo de visão durante as demais horas do dia
  • Um intelectual deve o ser o tempo todo
  • Sempre encarar a solidão como momento de elevação e não como momento de afastamento, é necessário se isolar pelo alto
  • É preciso tomar cuidado com a falsa solidão, pois como há falsa paz, há também falsa solidão
  • Conforme Santo Agostinho há uma pureza da solidão, que em todo momento e toda parte se pode manter
Resumo em tópicos:
  • Todas essas referências a vida interior, retiro, solidão e silêncio rementem à uma necessidade de um contato individual do ser para consigo e do ser para com a Verdade. Onde não se pode confundir retiro com reclusão, solidão com afastamento, silêncio e vida interior como deslocamento e desconexão da vida real
  • Todas as essas questões estão associadas diretamente com a contemplação, que é a atividade central, que exerce papel fundamental para o conhecimento e a compreensão da Verdade, e precede a transmissão da verdade aos demais. Uma ponte entre a ideia que tem raiz no real e o ação parte do abstrato interior para o real
  • O silêncio oculta as verdades contidas em todas coisas, verdades que somente com estudo e meditação é possível extraí-las, e somente com um espírito de silêncio  que vem da graça de Deus, é possível compreender (por meio da contemplação) e transmitir
Livro: A Vida Intelectual - Padre A. D. Sertillanges

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